junho 2024

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Microbiota intestinal e relação mãe-filho.

Acreditava-se que o ambiente intrauterino era estéril e que o contato do feto com bactérias ou fragmentos microbianos se daria durante o parto. No entanto, atualmente, já é sabido que o período fetal é caracterizado pelo início da colonização de microrganismos, especialmente bactérias, no intestino do feto. Durante a gestação, a conexão entre o útero e a placenta possibilita a translocação de metabólitos e fragmentos microbianos benéficos da mãe para o cordão umbilical, líquido amniótico e mecônio, o que prepara a formação da microbiota intestinal de seu filho. A microbiota intestinal compreende o conjunto de microrganismos, a exemplo de bactérias e fungos, que habitam o intestino humano desempenhando importante influência entre o estado de saúde e doença, graças ao seu importante papel sobre o preparo do sistema imunológico inato, entre algumas outras funções que impactam na saúde metabólica do indivíduo. Muito ainda está para ser descoberto sobre a microbiota intestinal, mas o papel da dieta e estilo de vida materno já é consolidado como importante via moduladora da microbiota intestinal fetal, reverberando na sua saúde ao longo da vida. Então, mamães, que tal manter uma dieta saudável, baseada em alimentos naturais, durante a gestação para favorecer a colonização de microrganismos benéficos no intestino de seus filhos? Fonte: MIKO, E. et al. The maternal–fetal gut microbiota axis: physiological changes, dietary influence, and modulation possibilities. Life, [S. l.], v. 12, n. 3, p. 1-20, 2022. DOI: https://doi.org/10.3390/life12030424. Nathalia Melo (@nathimelonutri), Nutricionista (CRN6 9689), Doutora em Nutrição e Docente do DN/UFPE.

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Jejum Intermitente, funciona ou é moda?  

É consenso que o balanço calórico negativo é uma estratégia adequada para promover a perda de peso. Dentre essas estratégias, o jejum intermitente vem ganhando força científica e popular nos últimos anos, pode ter vários formatos, dentre os quais, destaca-se a Restrição Temporal do Alimento, que promove períodos de jejum a partir de 12 horas diárias. Restringir o período de alimentação a menos horas/dia ativa o jejum fisiológico, um mecanismo adaptativo do corpo humano desenvolvido em face de períodos de escassez alimentar e jejum prolongado. Desta forma, ocorre que o corpo queima a gordura estocada para produzir energia. Por isso, se o indivíduo está neste contexto há o emagrecimento. Há também uma diminuição natural da quantidade de alimentos ingeridos ao longo do dia, visto que o indivíduo tem menos tempo para realizar suas refeições, o que também acaba induzindo a restrição de consumo calórico diário. No geral, o jejum fisiológico, que respeita o relógio biológico do corpo humano, ou seja, o jejum noturno de 12 horas, como os nossos avós faziam (Ex:tomar café da manhã às 7 da manhã, almoçar e jantar às 19h) traz benefícios tanto do ponto de vista de emagrecimento quanto para a melhora de fatores metabólicos (glicemia, colesterol, dentre outros). E apesar de toda a ciência que eu evidenciei aqui, não podemos esquecer que cada ser humano é único e não existe estratégia nutricional ideal para todos. Cada indivíduo tem suas particularidades, contraindicações, rotina, patologias, uso de medicamentos e necessidades específicas. Então, o nutricionista deve sempre levar em consideração todo esse contexto para, enfim, respeitando a ciência e as diretrizes nutricionais vigentes, realizar a prescrição nutricional individualizada. Referências: DOI: 10.1056/NEJMra1905136; DOI: 10.3390/nu11040719; DOI: 10.1210/endrev/bnab027. Nathalia Cavalcanti (@dranathalianutricionista), Nutricionista Clinica Esportiva (CRN 12703) e Doutora em Nutrição.

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Pesquisa encontra agrotóxicos em biscoito maisena, macarrão instantâneo, empanado e hambúrguer à base de plantas.

De 24 alimentos ultraprocessados produzidos no Brasil, com destaque para aqueles com apelo ao público infantil, foram encontrados resíduos de agrotóxicos em metade das amostras. O número alarmante está no terceiro volume da pesquisa “Tem Veneno Nesse Pacote”, realizada pelo Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) e que identifica a presença de resíduos de agrotóxicos em produtos alimentícios ultraprocessados comuns na rotina dos brasileiros.  O estudo está disponível gratuitamente na página idec.org.br/veneno-no-pacote, juntamente com os dois primeiros volumes, lançados em 2021 e 2022.  Na terceira edição, foram analisados 24 ultraprocessados de oito categorias: macarrão instantâneo, biscoito maisena, presunto cozido, bolo pronto sabor chocolate, sobremesa petit suisse sabor morango, bebida láctea sabor chocolate, hambúrguer à base de plantas e empanado à base de plantas com sabor de frango.  Em cada categoria, foram selecionados os três produtos mais vendidos do mercado. Os testes foram realizados por um laboratório certificado pela Coordenação Geral de Acreditação (CGCRE) do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), credenciado junto ao Ministério da Pecuária e Abastecimento (MAPA) e utilizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em testes de resíduos de agrotóxicos.  O teste escolhido é um dos mais abrangentes, com capacidade de detectar resíduos de até 563 agrotóxicos diferentes.  A coordenadora do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, Laís Amaral, explica que as categorias com produtos à base de plantas foram incluídas no estudo mais recente em razão do avanço da indústria, que se apropria de uma fatia do mercado considerada “novidade”, apresentada como alternativa ao consumo de carne, enquanto vende uma variação dos mesmos ultraprocessados de sempre, e ainda utilizando matérias-primas produzidas com o uso de agrotóxicos. “Precisamos alertar para o perigo duplo do consumo de ultraprocessados. Eles são produtos com excesso de nutrientes críticos, relacionados ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, doenças do coração e hipertensão, além da presença de aditivos alimentares. E também temos consistentemente encontrado traços de contaminação com agrotóxicos nesses produtos, ou seja, são venenos tão potentes que continuam ali mesmo depois dos processos de produção nas indústrias”, explica Amaral.  Resultados Ao final do estudo, 12 dos 24 produtos analisados apresentaram resíduos de agrotóxicos. Os ultraprocessados com mais traços de agrotóxicos, com quatro tipos diferentes em cada amostra, foram:  Foram encontrados resíduos de três agrotóxicos diferentes nos produtos:  Foram encontrados resquícios de dois agrotóxicos no produto:  E foi identificada a presença de um tipo de agrotóxico nos seguintes produtos:  O glifosato foi o agrotóxico que mais apareceu nos testes, em sete das 24 amostras. Laís Amaral explica que o glifosato é o herbicida mais vendido no mundo, tido como “provavelmente carcinogênico ou capaz de causar câncer”, de acordo com a Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Apenas a categoria de sobremesa petit-suisse sabor morango não apresentou resíduos de agrotóxicos em nenhuma das amostras analisadas. E a farinha de trigo, encontrada tanto na crosta dos empanados, quanto no biscoito maisena e no macarrão instantâneo continua sendo um ingrediente com alta prevalência de contaminação por agrotóxicos, como já havia apontado a análise do volume 2 do “Tem Veneno Nesse Pacote”.  “Os testes que não indicaram resíduos de agrotóxicos não significam, comprovadamente, que esses ultraprocessados não utilizam matérias-primas com uso de venenos agrícolas. Mostram apenas que as amostras analisadas não contêm resíduos de agrotóxicos”, explica Amaral.  Leonardo Pillon, advogado do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, lembra que o instituto vem criticando a flexibilização do uso dessas substâncias há muitos anos. Junto a outras organizações, o Idec integra a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.  “Cabe a crítica também aos deputados federais e senadores que, mesmo no meio de uma catástrofe climática diretamente relacionada com o ritmo de desmatamento e a manutenção de retrocessos na legislação ambiental, derrubaram vetos no Pacote do Veneno para concentrar poderes nas mãos do MAPA. Isso deve fazer com que as decisões futuras passem a ser facilmente controladas pelo lobby ruralista e corporações de agrotóxicos, acelerando ainda mais o descontrole desses produtos”, afirma.  O advogado do Idec reforça que quem pagará o preço é a própria população, em especial pessoas negras, periféricas, mulheres, crianças e povos originários e tradicionais, seja por serem mais atingidos em eventos climáticos extremos, ou por serem cada vez mais expostos a uma carga maior de agrotóxicos.  Com a finalização do volume 3 do estudo “Tem Veneno Nesse Pacote”, o Idec enviou notificações para todas as empresas responsáveis pelos produtos analisados em que foram encontrados agrotóxicos. Os dados também foram enviados à Anvisa. Fonte: Indec

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Brasil reúne 26 países em defesa de regulação dos substitutivos do leite materno.

Estima-se que o aleitamento seja capaz de diminuir em até 13% a morte de crianças menores de 5 anos em todo o mundo por causas preveníveis. Nesta quinta-feira (30), durante a programação da 77ª Assembleia Mundial da Saúde, o Brasil fez uma declaração conjunta em nome de 27 países, defendendo uma resolução para regulamentar a comercialização digital de substitutivos do leite materno e sua incorporação no Código Internacional. “É poderosa a influência da comercialização de substitutivos do leite materno como uma barreira à amamentação. Estamos enfrentando um desafio emergente”, disse o secretário Carlos Gadelha, representante brasileiro no evento da Organização Mundial da Saúde (OMS).  O Brasil se posicionou favorável à pauta desde o início da assembleia. Na terça-feira (28), em agenda sobre medidas regulatórias para restringir a referida comercialização digital, o Ministério da Saúde endossou as recomendações da OMS de que os bebês sejam alimentados apenas com leite materno nos primeiros seis meses de vida. A secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, reforçou que o Brasil vai apresentar a resolução. “Este será um passo fundamental para garantir o direito das crianças ao usufruto do mais elevado nível possível de nutrição e saúde”, disse. O projeto de resolução deverá ser apresentado na Assembleia Mundial da Saúde do próximo ano.  Contrariamente às recomendações da OMS, menos de metade das crianças com menos de 6 meses de idade a nível mundial são amamentadas exclusivamente. “Em comparação, as vendas comerciais de fórmulas lácteas aumentaram para cerca de US$ 55 milhões anualmente, com mais crianças a receberem fórmulas do que jamais visto”, pontuou a secretária brasileira.  “A análise dos dados nacionais de 126 países revelou que as vendas estão inversamente associadas à amamentação no primeiro ano de idade”, detalhou, complementando que os ambientes digitais estão se tornando a fonte predominante de exposição à promoção de substitutivos do leite materno a nível mundial e o marketing digital amplifica o alcance e o poder da publicidade, influenciando pais a utilizarem seus produtos.  Até 2030, o objetivo do Brasil, estabelecido de acordo com a OMS, éatingir 70% das crianças menores de 6 meses em aleitamento materno exclusivo e 60% em aleitamento materno continuado até os 2 anos de idade. Hoje, apenas 45,8% das crianças brasileiras menores de 6 meses são amamentadas exclusivamente e 35,5% são amamentadas continuamente no segundo ano de vida.  A amamentação é a forma de proteção mais econômica e eficaz para redução da morbimortalidade infantil, com grande impacto na saúde da criança, diminuindo a ocorrência de diarreias, afecções perinatais e infecções, principais causas de morte de recém-nascidos. Ao mesmo tempo, traz inúmeros benefícios para a saúde da mulher, como a redução das chances de desenvolver câncer de mama e de ovário.  Em 1981, a Assembleia Mundial da Saúde adotou o Código de Comercialização de Substitutos do Leite Materno para proibir todas as formas de promoção de substitutivos, reconhecendo os riscos para a saúde do bebê introduzidos pelo uso desnecessário e impróprio desse tipo de produto.  Segundo pesquisas, nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de crianças nessa faixa etária. “Tal como tem sido o desafio de regulamentar a comercialização de substitutivos do leite materno há mais de 40 anos, a regulamentação do marketing digital exige que a saúde e os direitos humanos das crianças e dos pais sejam colocados à frente dos interesses da indústria”, concluiu Ana Estela.  A declaração conjunta feita pelo Brasil representa os seguintes países: Armênia, Bangladesh, Bélgica, Bolívia, Botsuana, Colômbia, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Hungria, Indonésia, Jamaica, Quênia, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Eslováquia, Eslovênia, África do Sul, Sri Lanka, Síria, Tailândia e Uruguai, além do Brasil.  Fonte: Ministério da Saúde

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7 de junho. Dia Mundial da Segurança dos Alimentos.

O Dia Mundial da Segurança Alimentar (World Food Safety Day) é celebrado sempre no dia 7 de junho e tem como propósito inspirar ações que permitam prevenir, detectar e gerir riscos de origem alimentar, contribuindo para a saúde das populações, para o crescimento económico e o desenvolvimento sustentável.  O tema de 2024 sublinha a importância da preparação para enfrentamento de problemas em torno dos alimentos, independentemente do seu grau de gravidade. A campanha conjunta da FAO e da OMS definiu como tema para este ano: Segurança alimentar: prepare-se para o inesperado. A campanha visa explorar questões relacionadas a incidentes inesperados de segurança alimentar que podem ocorrer mesmo quando todos os intervenientes desempenham o seu papel para manter os alimentos seguros. A segurança alimentar salva vidas e também desempenha um papel vital na redução das doenças transmitidas pelos alimentos. Todos os anos, 600 milhões de pessoas adoecem em consequência diferentes tipos de doenças de origem alimentar, que são responsáveis ​​por 420 mil mortes evitáveis ​​todos os anos. Fontes: OPAS, FAO e OMS.  

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Chip bioeletrônico detecta vitaminas C e D na saliva em menos de 20 minutos

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um chip bioeletrônico capaz de detectar ao mesmo tempo as vitaminas C e D em fluidos corporais. Flexível e de fácil utilização, pode ser adaptado para se tornar um dispositivo vestível, contribuindo para uma nutrição personalizada, conforme detalhado em artigo publicado na revista ACS Applied Nano Materials, com destaque de capa. As vitaminas C e D são consideradas micronutrientes de suporte imunológico, pois participam de vias metabólicas envolvidas na luta contra vírus e bactérias. Monitorar seus níveis no organismo é importante porque garante que elas estejam presentes em valores considerados saudáveis – nem demais, nem de menos. No entanto, os métodos atualmente disponíveis para isso exigem equipamentos de laboratório caros, operados por profissionais especializados e demandam coleta de sangue, além de gerar resíduos que podem ser nocivos. Outra dificuldade é detectar e analisar essas duas vitaminas ao mesmo tempo, usando o mesmo volume de amostra. Para simplificar esse processo, pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP apoiados pela Fapesp utilizaram recursos acessíveis, de custo relativamente baixo, como carbono, e protocolos operacionais rápidos para desenvolver um chip eletroquímico que permite o automonitoramento dos micronutrientes. Descartável, o dispositivo incorpora dois sensores distintos, que utilizam corrente elétrica para detectar cada uma das substâncias. No caso da vitamina D, o sensor é feito de nitreto de carbono grafítico e nanopartículas de ouro e contém uma camada de anticorpos anti-25(OH)D3 [25(OH)D3 é a forma mais abundante de vitamina D, devido à sua longa meia-vida]. Já o da vitamina C é feito de nanopartículas de carbono e atua como sensor eletrocatalítico. O funcionamento é simples: basta conectar o chip a um dispositivo eletrônico portátil semelhante ao medidor de glicose, inserir uma amostra de saliva ou soro sanguíneo e aguardar os sinais de corrente elétrica que indicam a presença das vitaminas e seus níveis. O resultado é obtido em menos de 20 minutos. “Ao imobilizarmos espécies eletroquimicamente ativas na superfície de um dos sensores, conseguimos eliminar a necessidade de ‘labels’ e sondas redox, simplificando o dispositivo e reduzindo a complexidade da análise”, diz Thiago Serafim Martins, atualmente pesquisador no Imperial College London (Inglaterra) e primeiro autor do estudo. “Isso torna o chip potencialmente mais prático e eficiente, o que possibilita a utilização direta no local de atendimento. Além disso, devido à sua flexibilidade, pode ser adaptado para sensores vestíveis, integrados em um mordedor bucal ou até mesmo aplicados diretamente sobre a pele.” A seletividade e especificidade do dispositivo foram confirmadas com experimentos de controle, destinados a avaliar potenciais interferências de substâncias normalmente encontradas em amostras de soro e saliva humana, tais como vitamina B12, vitamina B6, vitamina B1, vitamina B3, glicose, lactato, cloreto de sódio e cloreto de potássio. DESAFIOS Para que o chip bioeletrônico detector de vitaminas C e D fosse desenvolvido, os pesquisadores tiveram que superar uma dificuldade: garantir que não houvesse interferência entre as vitaminas. Isso significa que a presença de uma vitamina não deveria afetar a detecção da outra no mesmo volume de amostra. “Para alcançar esse objetivo, desenvolvemos as duas áreas de trabalho, ou seja, os dois sensores do chip, com químicas de superfície distintas e os configuramos para operarem em diferentes potenciais elétricos”, conta Martins. Os cientistas veem potencial para expandir o dispositivo a fim de detectar outros biomarcadores, incluindo aqueles relacionados a diversos tipos de câncer. Apesar desse avanço, reconhecem a necessidade de conduzir estudos adicionais para validar o sensor. A intenção é que, com isso, possam iniciar o processo de solicitação de patente e, posteriormente, transferir a tecnologia para o mercado. O estudo também recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Fonte: Asbran

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